Pedido

Terça-feira, 2 Janeiro 2007 às 9:27 pm | Publicado em Pessoal | 3 comentários

Peço a todos os amigos que visitam esta casa o favor de passarem a visitar-me na minha casa anterior, chamada “Blogger”. Com efeito, os problemas apontados no dia 24 Novembro 2006 no post Informação encontram-se, após algumas reparações importantes, solucionadas. E é nessa casa, onde vivo há dois anos, que me sinto mais à vontade para continuar a trabalhar.

Compreendo que a questão da alteração dos links, de https://malaposta.wordpress.com/ para http://malaposta.blogspot.com/ possa eventualmente causar algum incómodo. Sendo certo que tal questão nunca me incomoda quando sou eu a actualizar links, não quero deixar de pedir as minhas desculpas e a vossa compreensão.

Quando entrei nesta casa tive, naturalmente, de comprar mobília nova. Mudarei a que puder para a minha casa “Blogger”. Julgo que todos compreenderão: O Governo actual continua a roubar tudo que pode e se soubesse que o dono se tinha ausentado mandava cá o TGV para levar tudo. Conseguiria fazer baixar o défice à custa de novo roubo!…

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In Memorian

Segunda-feira, 1 Janeiro 2007 às 1:58 am | Publicado em Política | 2 comentários

Ary dos SantosQue a terra lhe seja pesada.
Que lhe apodreça o corpo e os olhos fiquem vivos,
Se lhe soltem os dentes e a fome fique intacta
E a alma, se a tiver, que lha fustigue o vento
E arrase com ela a memória gravada
Na lembrança demente dos que o choram.


Que a mulher que foi dele oiça o vento na noite,
Cheio de ossos e uivos
E garfos aguçados
E que reparta o medo com o primeiro intruso
E o vento se insinue pelas portas fechadas
E rasteje no quarto
E suba pela cama
E lhe entre no olhar como estiletes de aço,
Lhe penetre os ouvidos como agulhas de som,
Lhe emaranhe os cabelos como um nó de soluços,
Lhe desfigure o rosto como um ácido em chama.

Que a mulher que foi dele oiça o vento na noite,
Que a mulher que foi dele oiça o vento na cama!

Que o nome que era o seu o persigam os ecos,
O gritem no deserto as gargantas com sede,
O murmurem no escuro os mendigos com frio,
O clamem na cidade as crianças com fome,
O soluce o amante de súbito impotente,
O maldigam no exílio as almas sem descanso.

Que o nome que era o seu seja a bandeira negra,
A pálpebra doente,
O vómito de sangue.

Que o gesto que era o seu o imitem as mães
Que se torcem de dor quando abortam nas trevas,
O desenhem a lume os braços amputados,
O perpetue o esgar dos jovens mutilados,
O dance o condenado que morre na fogueira.
Que o gesto que era o seu seja o punhal do louco,
A arma do ladrão,
A marca do vencido.

Que o sangue que era o seu o farejem os cães
Nas veias de seus filhos.
Que o sangue que era o seu se lhes veja nas mãos,
E lhes aperte os pulsos como algemas de lodo,
Lhes carregue o olhar como um sopro de infâmia,
Lhe assinale a testa como um escarro de fogo,
Lhes atormente os passos como um peso de lama.

Que o sangue que era o seu seja o rictus da tara,
A máscara de sal,
A vingança do pobre.
E que o Exterminador, no seu trono de enxofre,
o faça tilintar os guizos da tortura
Até que o mundo o esqueça
E mais ninguém o chore.

Poema incluído nos livros A Liturgia do Sangue (1963), Vinte Anos de Poesia (1983) e Obra Poética (1994).

Que pena!

Sábado, 30 Dezembro 2006 às 1:54 am | Publicado em Política | 3 comentários

Sic Notícias, jornal das 14 horas, 27.12.2006, reportagem:

«Só na semana natalícia, os portugueses gastaram 2,1 mil milhões de euros através dos cartões multibanco, quantia que dava para pagar o aeroporto da OTA».

Portugueses, já sabem que quero roubar o máximo. Não tenhos mais declarações a fazer. Assinado: Sócras.

Que pena! Esses portugueses deviam introduzir os cartões nas caixas multibanco, seleccionavam “Donativos ao Estado” e pronto: O Sócras já ficava com o dinheiro necessário para construir a OTA, sem se consumir!… Foi mesmo uma pena! Coitado!

Atentados em Londres?…

Quinta-feira, 28 Dezembro 2006 às 12:22 am | Publicado em Política | 4 comentários

Atentados em Londres?...

UK ‘plot’ terror charge dropped

A Pakistani judge has ruled there is not enough evidence to try a key suspect in an alleged airline bomb plot on terrorism charges.

He has moved the case of Rashid Rauf, a Briton, from an anti-terrorism court to a regular court, where he faces lesser charges such as forgery.

Pakistan has presented Mr Rauf as one of the ringleaders behind the alleged plan to blow up flights out of London.

The British authorities say they foiled it with Pakistan’s help in August.

They say proceedings against suspects arrested in Britain will go ahead.

‘Explosives’

The arrest of Rashid Rauf in Pakistan triggered arrests in the United Kingdom of a number of suspects allegedly plotting to blow up transatlantic flights.

The Pakistani authorities described him as a key figure.

But an anti-terrorism court in Rawalpindi found no evidence that he had been involved in terrorist activities or that he belonged to a terrorist organisation.

As well as forgery charges, Mr Rauf has also been charged with carrying explosives.

But his lawyer says police evidence amounts only to bottles of hydrogen peroxide found in his possession.

Hydrogen peroxide is a disinfectant that can be used for bomb-making if other chemicals are added.

The BBC’s Barbara Plett in Islamabad says the judge’s decision has reinforced the already widespread scepticism there about the airliner plot.

Several commentators said the threat was deliberately exaggerated to bolster the anti-terror credentials of Pakistani President Pervez Musharraf and that it helped to demonise British Muslims of Pakistani origin.

The Crown Prosecution Service in the UK said the dropping of charges against Mr Rauf in Pakistan would “make no difference” to the case against the men charged in Britain.

‘Suspected conspiracy’

In August, the British government requested the extradition of Mr Rauf, a Briton of Pakistani origin who returned to Pakistan four years ago, in connection with a 2002 murder.

Scotland Yard declined to discuss which murder case the request related to.

The government in Pakistan, which has no extradition treaty with the UK, said it was considering the request.

Rashid Rauf was arrested in Pakistan earlier that month over the alleged plot to blow up US-bound aircraft, Pakistan’s foreign ministry said.

He has been described by Pakistan’s government as a “key person” in the “suspected conspiracy”.

The August arrests led to increased airport security around the world, causing major disruption.

Passengers on many flights were forbidden to take liquids aboard aircraft.

Fonte: Link

Comentário: Como se verifica, cai por terra a teoria dos “terríveis atentados evitados em Londres em Agosto, que íam ser piores do que o 11 de Setembro”. Alguns meses depois, cá está: Escondido algures no meio dos jornais, sem que quase ninguém repare.
Nunca falha…

«Cheques-aborto»

Terça-feira, 26 Dezembro 2006 às 12:14 am | Publicado em Política | 2 comentários

Correia de Campos, anunciou que vai fornecer «cheques-aborto»…

…às mulheres que, tendo razões previstas pela lei para interromper a gravidez, não conseguem que a operação seja feita em contexto hospitalar público, porque os médicos que lá trabalham alegam «objecção de consciência».

Face a isto, o ministro, indignado, dispõe-se a passar um vale para o “privado”, onde pelos vistos não há ninguém com este tipo de escrúpulos morais. Sendo tudo isto verdade, estaríamos perante um cenário extraordinário. Diria mesmo que o ministro tinha um azar dos diabos: então o infeliz tem um sistema de saúde apinhado de gente que recebe do Estado, mas não cumpre as suas leis, e do outro todos aqueles que não hesitam em interromper uma gravidez? Um tal atentado à teoria das probabilidades choca. E surpreende, sobretudo porque a grande maioria dos médicos que trabalham no “público” é também aquele que, à tarde, transita para consultórios e clínicas privadas. Serão apenas objectores até ao som das doze badaladas, libertando-se de preconceitos da parte da tarde? Nesse caso bastava ao ministro mudar-lhes o horário do turno! Ou será que há consciências que podem ser compradas com um bónus extra vencimento fixo? E haverá condições para garantir que quem recebe esses cheques seja exigente e cumpra a outra parte da lei, aquela que prevê que o aborto seja a oportunidade de acompanhar e esclarecer a grávida, entendendo que lhe cabe responsabilizar-se pela sua vida sexual – e que o aborto não é um método contraceptivo?

Sem esta parte cumprida, o ministro bem pode passar o resto da vida a emitir cheques e a ser cúmplice de uma situação que mesmo os movimentoos a favor do aborto livre até às dez semanas garantem não desejar.

Isabel Stilwell, in NM

Claro que não!

Sábado, 23 Dezembro 2006 às 12:03 am | Publicado em Imagens | 4 comentários

Não gostas de natais, Malaposta? Então? Gostas de estrelinhas?...

Memórias (1)

Quinta-feira, 21 Dezembro 2006 às 12:11 am | Publicado em Geral | 5 comentários

Um certo dia, alguém recebeu em Dez. 2004 um email que dizia: “resolvi aderir à moda dos blogs; se te interessar, o link é este“. O destinatário do email abriu o link e pensou: “mas como é possível?! é preciso ter muitos conhecimentos para fazer isto!… “. O tempo foi passando, o destinatário do email ia lendo o blog e, ao mesmo tempo, andava por outros blogs e até em jornais a inserir comentários. Até que, por acaso, o “destinatário” (sem aspas a partir de agora, sempre que necessário, por economia de espaço e de tempo – que vai dar no mesmo com o tempo gasto neste parêntese!…) clicou no botão “I Power Blogger“. E o destinatário leu: Create a blog in 3 steps (o destinatário está a citar de cor, mas não andará longe da verdade). Foi avançando, teve dificuldade em escolher um nome, pensou em Farrusco (em memória ao cão nascido em Zala e que o acarinhava e acompanhava para todo a lado, mesmo com bombas a explodir e tiros por todos os lados!). Chegou a escrever Farrusco, voltou atrás, e decidiu escrever uma localidade que conhece bem (a cerca de 30 Km de Coimbra, N-S, à face da IC2/N1), ligada à época das primeiras comunicações em Portugal, através da diligência Malaposta que deu o nome à tal localidade que até então se chamava Ponte da Pedra. Acabara de ser criado o blog Malaposta, em 16.02.2005, autor AC. O remetente do tal email era (e é… aqui não há divórcios!) o filho de quem viria  a ser também autor dum blog – o Malaposta. 

Link para o post original.

Manter o PC Seguro

Terça-feira, 19 Dezembro 2006 às 12:09 am | Publicado em Tecnologia | 4 comentários

Que raio de sorte a minha! Só azares no PC...

Com uma versão original do Windows e uma ligação à Internet pode manter o seu PC seguro, sem gastar dinheiro.

O primeiro passo para manter o computador seguro é certificar-se que o próprio sistema operativo Windows está actualizado. Para tal, basta clicar em “Iniciar”, “Windows Update”.
O processo de actualização pode ser automatizado e resolve muitas falhas de segurança do Windows e respectivos programas. Com o Windows actualizado, o computador fica automaticamente protegido contra uma série de ataques, vírus e troianos que se aproveitam dessas mesmas lacunas.

Antivírus e “anti-spyware

Outra etapa importante na protecção do computador é a instalação de um antivírus e de um programa que previne e elimina o software que, não sendo um vírus, é indesejado – também conhecido por “spyware” e “malware”.
Há vários antivírus gratuitos para uso doméstico, tais como o AVG Free Edition da Grisoft ou o Antivir da Avira. Ambos permitem actualizar, via internet, a base de dados de vírus e as técnicas de procura.
Mas não basta instalar uma ferramenta de antivírus: é preciso mantê-la actualizada. Caso contrário o PC fica vulnerável aos novos vírus ou variantes de vírus já existentes.
Quanto à ferramenta de remoção de “spyware”, a própria Microsoft lançou recdentemente o “Windows Defender”, a versão final e gratuita de um programa que remove uma boa parte deste tipo de intrusões e defende, em tempo real, o computador.
Os utilizadores mais avançados podem experimentar uma série de outros programas gratuitos. Por exemplo, o “Microsoft Baseline Security Analyzer 2.0” é uma boa ferramenta para dissecar as vulnerabilidades do computador e respectivos programas, apresentando a solução.
O “Power Toys” permite personalizar definições do Windows, algumas relacionadas com a segurança. E o “Process Explorer” é outro software gratuito que monitoriza os programas e módulos de software em execução e que permite identificar produtos indesejados.
Em caso de urgência há ainda o serviço on-line “Windows Live OneCare” que procura e remove software maligno do computador.

Sites de Referência:

AntiVir: www.free-av.com/

AVG Free Edition: http://free.grisoft.com/doc/1

Microsoft Baseline Security Analyzer 2.0:

 www.microsoft.com/technet/security/tools/mbsa2/default.msp

Power Toys: www.microsoft.com/windowsxp/powertoys/xppowertoys.mspx

Process Explorer: www.sysinternals.com/Utilities/ProcessExplorer.html

Windows Defender: www.microsoft.com/athome/security/spyware/software/default.mspx

Windows Live OneCare: http://safety.live.com

Windows Update: http://windowsupdate.microsoft.com

in Metro

José Saramago

Domingo, 17 Dezembro 2006 às 12:55 am | Publicado em Geral | 12 comentários

José Saramago e Pilar del Rio

José Saramago, um exemplo de vida e de escritor. Parabéns!

O cidadão português José de Sousa Saramago é um daqueles casos nada comuns de alguém que, já na idade madura, deu uma guinada radical na vida. Vinte anos atrás, estava ele, cinqüentão, solidamente estabelecido em Lisboa e num segundo casamento; vivia de traduções e tinha atrás de si uma breve experiência como jornalista. Nas horas vagas, administrava uma discreta carreira literária, iniciada na juventude com o romance Terra do Pecado, interrompida em seguida por quase duas décadas e desdobrada, a partir de 1966, numa dezena de livros que não chegaram a fazer barulho, a maioria deles coletâneas de poemas e de escritos jornalísticos. Nada permitia supor que José Saramago viria a se tornar quem hoje é: às vésperas de completar (no mês que vem) 76 anos de idade, um romancista lido e admirado em todo o mundo, traduzido para 21 idiomas e insistentemente apontado, desde 1994, como um dos favoritos para ganhar Prêmio Nobel de Literatura, tradicionalmente anunciado no mês de outubro e que seria o primeiro concedido a um autor de língua portuguesa. Pois foi aí, já quase sexagenário, que a vida de José Saramago – menino pobre que não teve um livro antes dos 19 anos e que na juventude trabalhou como mecânico de automóveis (embora não saiba dirigir) – se pôs a trepidar, num benfazejo terremoto que em pouco mais de uma década haveria de redesenhar a sua paisagem existencial.

Aos 57 anos, para começar, ele finalmente decolou como escritor ao publicar o romance Levantado do Chão. Aos 64, encontrou o que acredita ser o seu definitivo amor em alguém 28 anos mais jovem, a jornalista sevilhana María del Pilar del Río Sánchez. Aos 70, transplantou-se das margens do Tejo para uma ressequida ilha vulcânica espanhola onde não corre um ribeirão sequer e toda a água tem que ser tirada do mar, Lanzarote, a mais oriental das sete Canárias, com 50 000 habitantes e 805 quilômetros quadrados.

Ali, numa casa que vem a ser a primeira e até agora única propriedade desse persistente militante comunista, foram escritos seus livros mais recentes, Ensaio sobre a Cegueira e Todos os Nomes, além dos diários intitulados Cadernos de Lanzarote, encorpando uma obra na qual já se destacavam os romances Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Jangada de Pedra e O Evangelho Segundo Jesus Cristo. No Brasil, onde o melhor de Saramago já foi publicado, apenas este último título vendeu 85 000 exemplares.

A virada na vida do escritor foi engatilhada de maneira acidental, em 1975, quando, demitido do cargo de diretor-adjunto do Diário de Notícias ele decidiu não procurar emprego, abrindo assim espaço para que a sua criação literária deslanchasse em regime de dedicação exclusiva.

José Saramago, que tem uma filha, Violante, bióloga, de seu primeiro casamento, e dois netos, Ana e Tiago, já era autor consagrado em 1992, quando o ateísmo contundente de O Evangelho Segundo Jesus Cristo desaguou num episódio de censura que acabou determinando a sua mudança para Lanzarote, onde se instalou em fevereiro de 1993. O editor sênior Humberto Werneck, de PLAYBOY, lá esteve para entrevistar o escritor e conta:

“Branca, com dois pavimentos, a casa de José Saramago se chama exatamente isso, ‘A Casa’, conforme se lê junto ao portão de entrada. Fica no número 3 da Rua Los Topes, numa esquina da minúscula cidade de Tías, mas pode ser que o visitante tenha dificuldade em encontrá-la, pois o dono de A Casa, tendo lido sobre a história do lugar, decidiu restabelecer a sua antiga denominação, hoje inteiramente esquecida, Las Tías de Fajardo.

“Os carteiros de Lanzarote já se conformaram com a esquisitice, e não é impossível que o mesmo acabe acontecendo com os demais lanzarotenhos, sobretudo se o ilustre forasteiro vier a ganhar o Prêmio Nobel. Já são provavelmente maioria os nativos capazes de reconhecer aquele senhor alto, desempenado e sobrancelhudo, com óculos grandes demais para o seu rosto e cabelos grisalhos que escasseiam no alto e abundam, um tanto alvoroçados, na parte de trás da cabeça. Saramago ganhou faz um ano o título de ‘filho adotivo’ da ilha e só não é ‘o’ escritor de Lanzarote porque lá vive o romancista espanhol Alberto Vásquez-Figueroa, com quem fez camaradagem.

“Reservado, porém afável, de pouco riso mas longe de merecer a fama de mal-humorado que o persegue, José Saramago acumula as características a princípio excludentes de homem a um tempo caseiro e viajador: duas vezes por mês, em média, ele abandona a paisagem lunar de Lanzarote para atender a compromissos profissionais, sempre em companhia de Pilar del Río, hoje a sua tradutora para o espanhol e revisora das antigas traduções.

“Quando está na ilha, o escritor pouco sai de sua casa, plantada num jardim atapetado de picón, cascalho fino de origem vulcânica de cor preta ou tijolo escuro. A vegetação esparsa inclui duas oliveiras que o escritor quis ter ali por serem as árvores de sua infância na Azinhaga, povoado da região portuguesa de Ribatejo onde nasceu, filho de pais camponeses muito pobres, e onde viveu até mudar-se para Lisboa, aos 2 anos de idade.

“Num dos cantos do jardim há uma piscina (coberta, por causa do vento forte) com 7 metros e meio de comprimento, que o escritor atravessa pelo menos trinta vezes todos os dias – uma das explicações para a excelente forma física em que se encontra a apenas quatro anos de tornar-se octogenário. O mesmo se diga, aliás, da bela e simpática Pilar del Río, que aos 47 anos, mãe de um rapaz de 21, Juan José, que mora com o pai em Sevilha, não aparenta mais que 35.

“Marido e mulher têm, cada qual, seu escritório, e o de Saramago, no segundo piso, deixa ver o mar. As edições portuguesas e estrangeiras de seus livros espremem-se numa estante com quatro prateleiras e bom metro e meio de comprimento. Numa fotografia, uma tabuleta em francês provoca o ateu empedernido: “Dieu te cherche” – Deus te procura. Nesse escritório (onde foram gravadas, em três rodadas, as 7 horas desta entrevista), usando um laptop Canon acoplado a um monitor Samsung, Saramago escreve pela manhã e no final da tarde a sua quota diária de literatura, nunca mais de duas páginas, ao som de Mozart, Bach ou Beethoven, e responde a algumas das cartas, cerca de 100, em média, que lhe chegam todos os meses de vários cantos do mundo.

“Depois do almoço, já embarcado no hábito espanhol da siesta, ele cochila ou apenas relaxa na sala, no andar térreo. Nesses momentos nunca lhe falta a companhia da fauna canina doméstica: o cão d’água português (espécie de poodle) Camões, a yorkshire Greta e o poodle Pepe. À noite, na cozinha, vai repetir-se um ritual: sentam-se os três diante de seu dono, que, faca na mão, distribui rodelas de banana. Pepe foi batizado pelo escritor na esperança de que não sobrasse para ele próprio esse apelido a que, na Espanha, praticamente todos os Josés se acham condenados. Camões assim se chama porque apareceu na casa no dia de 1995 em que Saramago ganhou o Prêmio Camões, concedido anualmente pelos governos de Lisboa e Brasília a um escritor de língua portuguesa e que já distinguiu os brasileiros Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz e Antonio Candido. Camões adora livros: comeu duas biografias do presidente sul-africano Nelson Mandela, em diferentes línguas, e ultimamente se dedicava a roer as bordas de um grosso álbum de pinturas de Goya.

“Ao contrário de outros autores lusitanos, Saramago exige que seus livros sejam publicados no Brasil exatamente como saíram em Portugal, sem concessões destinadas a facilitar o entendimento do leitor brasileiro. Na transcrição desta entrevista, PLAYBOY não chega a adotar a ortografia vigente em Lisboa, mas busca não abrasileirar a fala do escritor. Como, ó pá, ninguém é de ferro, algumas palavras ganharam ‘tradução’ entre colchetes.”

———-+———-
“Ser-se comunista é um estado de espírito. (…) Sou comunista. (…)
[Mas] São os fatos que mostram:
setenta anos de construção do socialismo
na União Soviética não chegaram para fazer comunistas.”

“Meu avô, analfabeto, homem simples,
sem nenhuma das sofisticações da civilização,
foi de árvore em árvore, abraçou-se a cada uma delas,
chorando. Ele adivinhava que não voltaria.”

“Não escrevo mais que duas páginas por dia.
Ao fim da segunda, paro, mesmo que pudesse continuar.
Parece pouco, mas duas páginas por dia,
todos os dias, ao fim do ano são quase oitocentas.”

Texto retirado da Net, Jornal de Poesia – Brasil.

O poder dos blogs

Sexta-feira, 15 Dezembro 2006 às 1:18 am | Publicado em Tecnologia | 4 comentários

De quem é este blog?...Blogues serão órgãos de comunicação em dez anos

A influência nas decisões é tal que passarão a concorrer com os meios tradicionais

O

s blogues estão a tornar-se num fenómeno cada vez mais relevante e dentro de dez anos serão considerados órgãos de comunicação equiparados aos meios tradicionais, revelam as conclusões de dois estudos apresentados em Paris. O blogue será “um meio de comunicação social como os outros“, afirmaram os investigadores Dave Sifry, fundador do motor de pesquisa americano “Technorati“, e Alexis Helcmanocki, responsável do instituto de sondagem francês IPSOS, no encontro internacional Web 3.
A ideia de que somos ao mesmo tempo produtores e consumidores, podendo contribuir activamente para as nossas próprias decisões e as dos nossos amigos e vizinhos, será tão natural no futuro como é hoje ler um jornal“, acrescentou Sifry.
O facto de 60 milhões de blogues estarem catalogados no fim de Setembro leva a crer que o blogue se vai impor entre os utilizadores destes diários na internet.
De acordo com o último recenseamento do motor de pesquisa “Technorati”, o fenómeno está a conquistar rapidamente novos espaços linguísticos, nomeadamente chineses (dez por cento) e japoneses (33 por cento), que assim se sucedem aos blogues em inglês, ainda líderes com 39 por cento.
Segundo o estudo realizado pelo instituto IPSOS, 61 por cento dos 2.214 inquiridos estão a par dos blogues. O questionário foi feito a residentes de França, Grã-Bretanha, Itália, Alemanha e Espanha.
O estudo do IPSOS permite apurar que os blogues influenciam os comportamentos de consumo de quem os consulta, tendo 34 por cento dos entrevistados respondido que podem renunciar a uma compra após ter lido comentários negativos sobre o produto num blogue.

in Portugal Diário

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