A etapa queimada

Domingo, 2 Setembro 2007 às 2:14 pm | Publicado em Sociedade | Deixe um comentário

No interessante “fresco” que António Barreto pintou sobre nós e que foi apresentado na RTP1, o investigador proferiu uma frase que me deixou em baixo: disse qualquer coisa como “a maioria dos portugueses nasceu depois da década de sessenta”. Não tendo qualquer motivo para duvidar da afirmação, restou-me engolir em seco e aceitar o veredicto: faço parte já da minoria dos mais velhos! Contra factos não há argumentos… Não dá para deprimir, mas não deixa de constituir um lembrete para quem como eu tem andado distraído acerca do assunto…
O que verdadeiramente dá que pensar é a particularidade de a minha geração, ao contrário do que sempre acontecera até aí, não ter tido o direito a viver, para o bem e para o mal, a condição de “pessoa madura”. Passámos de jovens a velhos… O próprio documento de António Barreto dá indirectamente conta do fenómeno, ao acentuar tão bem as acelerações bruscas que o tempo sofreu em alguns momentos das últimas décadas neste país. E se realço “neste país” tal deve-se ao facto de que, como alguém já afirmou, existe uma geografia do tempo: em boa verdade, a história não corre à mesma velocidade em todos os pontos do planeta: se todos os dias fosse emitido um boletim da metereologia social, dar-se-ia conta do facto com a maior das facilidades.
Aquilo que no resto da Europa foi acontecendo no decurso de décadas após a Guerra, sucedeu em Portugal em meia dúzia de anos. Após a aceleração de Abril aqueles da minha idade que tinham vivido a infância e a adolescência a um ritmo fouxo, foram obrigados subitamente a acelerar a passada para essa coisa a que se chama “idade adulta”. Paradoxalmente, quem já era “adulto” não aceitou que adquiríssemos esse estatuto com tanta brevidade, como sempre sucede aliás em todas as gerações: reza a tradição que para esse efeito o que conta é o que está escrito no Bilhete de Identidade… Quando finalmente tudo parecia conjugar-se para que fôssemos integrados na comunidade daqueles cuja voz é ouvida como sendo da ponderação, levámos nova sacudidela, dada agora pelas novas tecnologias, pela globalização e pelo endeusamento da novidade. Vai daí, antes de tempo, fomos sendo passados para a categoria dos fora do prazo, dos precocemente envelhecidos. Resultado: não nos é dado tempo para estarmos na “meia idade”.
Cá por mim, recuso-me! Bem sei que sou anterior ao aparecimento da televisão em Portugal, que me lembro da chegada à Lua; é um facto que ouvi pela primeira vez o She Loves You, dos Beatles, ainda antes da puberdade e que pelos microfones da Emissora Nacional fui informado de que Salazar tinha um diferendo com a cadeira (Nota: já nessa altura os primeiros-ministros tinham problemas com algumas cadeiras…).
Mas isso não faz de mim um velho! Ainda não mereço tal estatuto! Ou faz? Pelo menos pertenço à tal minoria… Snif!

Bebidas alcoólicas

Sexta-feira, 2 Fevereiro 2007 às 1:06 am | Publicado em Sociedade | Deixe um comentário

Consumo moderado de bebidas alcoólicas pode diminuir o risco de ataques cardíacos em homens com hipertensão

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consumo moderado de bebidas alcoólicas pode reduzir o risco de ataques cardíacos em homens com problemas de hipertensão, de acordo com o que conclui um estudo publicado recentemente na revista médica “Annals of Internal Medicine”. O estudo levado a cabo por investigadores norte-americanos da Harvard School of Public Health e por investigadores holandeses do Instituto de Investigação da Universidade de Weningen, demonstrou, pela primeira vez, que o consumo moderado de álcool não aumenta o risco de doenças cardiovasculares em homens que sofrem de pressão arterial elevada e que um a dois copos por dia podem contribuir para reduzir o risco de ataques cardíacos.

O estudo vai ao encontro de outros estudos que já tinham salientado que o consumo de álcool diminui o risco de doenças do coração, uma vez que aumenta os níveis de colesterol “bom” e dilui o sangue, reduzindo assim o risco de doenças cardiovasculares. Segundo Joline Beulens, uma das autoras da investigação, este estudo é o “primeiro que analisa o risco de ataques cardíacos entre homens com tensão arterial elevada, que bebem moderadamente”.

“Uma vez que o consumo excessivo de álcool aumenta a tensão, a maioria dos homens que sofrem de hipertensão são aconselhados a deixarem de beber, mas os resultados deste estudo contrariam este conselho, uma vez que indicam que os homens não precisam de parar de beber, desde que bebam com moderação e responsabilidade”, acrescentou a investigadora.

O estudo analisou dados de 11.711 homens com hipertensão que participaram entre 1986 e 2002 num estudo de inspecção de longo prazo, tendo os investigadores analisado os comportamentos de consumo de álcool, assim como o aparecimento de doenças cardiovasculares, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

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