Cabeça fumegante

Quarta-feira, 21 Fevereiro 2007 às 3:39 pm | Publicado em Política | Deixe um comentário

H á dias em que as pessoas acordam dadas às filosofias. Se tal acontece, nada nos faz parar. Numa comparação grosseira, trata-se de algo semelhante ao começar a cantarolar uma melodia, pela manhã, que só nos larga a cabeça à noite, já na cama. Caso uma dessas reflexões profundas nos venha à ideia (estamos em presença, sempre, de um raciocínio brilhante, uma vez que é nosso…), temos a ousadia de pensar que nunca ninguém em tal houvera pensado…

Desta vez, a minha cabeça começou a fumegar sob o efeito da seguinte questão: se a velhice está cada vez menos cotada na bolsa de valores da sociedade, por que raio (expressão pouco consentânea com os rigores da filosofia) nos congratulamos tanto com o aumento da esperança média de vida das pessoas? Claro que, dirão muitos, não se trata, apenas, de viver mais, mas também de viver melhor… Mas a dúvida reside no entendimento daquilo que se considera “viver melhor”. E, nesta matéria, acaba-se sempre a pensar em assistência médica permanente, lares de idosos confortáveis e ocupação lúdica do dia-a-dia… Em bom rigor, é um entendimento em tudo semelhante ao que se aplica às crianças, apenas na direcção contrária. Se, no caso destas, o que está em jogo é criar-lhes condições de “entrada” na vida dita “activa”, no que respeita aos que estão no final do ciclo vital trata-se das condições de “saída”. Se os infantes representam o “esboço” de um projecto, os velhos são o “rescaldo” do mesmo. Ora, o que mais me dá que pensar é a

verificação de que cada vez é menor o prazo para a execução do projecto e maior o prazo de preparação e de pós-execução. Espera-se de nós que, durante um quarto de século, estejamos embrenhados nos treinos para concretizar o que foi exaustivamente planeado; depois, dão-nos uma ou duas décadas, no máximo, para mostrar aquilo de que somos capazes; passado esse tempo… acabou.

Na bolsa da “vida activa”, as nossas acções entram em queda progressiva até deixarem de estar cotadas. Ora, esse período considerado agora de perda correspondia dantes a uma fase de estabilidade e solidez no mercado, à qual era possível chamar… “maturidade”. Mas, agora, a maturidade deixou de existir e, quando já nos mandaram definitivamente para fora dos mercados de capitais, chamam-nos piedosamente “seniores”, “idosos” ou de “terceira (ou quarta) idade”…
A partir daqui, é-nos concedido um rol de benesses: passeios da junta de freguesia, com oferta dos bonés amarelos sobrados da colónia de férias das crianças; mesas novas no jardim, para os torneios de sueca; meia dúzia de lugares no metro; descontos na CP, mesmo que não se possa subir para o comboio; frequência da universidade da terceira idade; festa dos cem anos, no lar, com bolo de velas e reportagem telivisiva; ser entrevistado para protestar contra a falta de médico na freguesia… De que serve, pois, darem-nos papel para acrescentar páginas à nossa biografia sabendo, à partida, que ficarão em branco, porque nos tiraram a caneta da mão?

in NM, JN..

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Bebidas alcoólicas

Sexta-feira, 2 Fevereiro 2007 às 1:06 am | Publicado em Sociedade | Deixe um comentário

Consumo moderado de bebidas alcoólicas pode diminuir o risco de ataques cardíacos em homens com hipertensão

O

consumo moderado de bebidas alcoólicas pode reduzir o risco de ataques cardíacos em homens com problemas de hipertensão, de acordo com o que conclui um estudo publicado recentemente na revista médica “Annals of Internal Medicine”. O estudo levado a cabo por investigadores norte-americanos da Harvard School of Public Health e por investigadores holandeses do Instituto de Investigação da Universidade de Weningen, demonstrou, pela primeira vez, que o consumo moderado de álcool não aumenta o risco de doenças cardiovasculares em homens que sofrem de pressão arterial elevada e que um a dois copos por dia podem contribuir para reduzir o risco de ataques cardíacos.

O estudo vai ao encontro de outros estudos que já tinham salientado que o consumo de álcool diminui o risco de doenças do coração, uma vez que aumenta os níveis de colesterol “bom” e dilui o sangue, reduzindo assim o risco de doenças cardiovasculares. Segundo Joline Beulens, uma das autoras da investigação, este estudo é o “primeiro que analisa o risco de ataques cardíacos entre homens com tensão arterial elevada, que bebem moderadamente”.

“Uma vez que o consumo excessivo de álcool aumenta a tensão, a maioria dos homens que sofrem de hipertensão são aconselhados a deixarem de beber, mas os resultados deste estudo contrariam este conselho, uma vez que indicam que os homens não precisam de parar de beber, desde que bebam com moderação e responsabilidade”, acrescentou a investigadora.

O estudo analisou dados de 11.711 homens com hipertensão que participaram entre 1986 e 2002 num estudo de inspecção de longo prazo, tendo os investigadores analisado os comportamentos de consumo de álcool, assim como o aparecimento de doenças cardiovasculares, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

in Dica

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