Teste.gif no Blogger2

Terça-feira, 30 Janeiro 2007 às 12:41 am | Publicado em Imagens | Deixe um comentário

Avião no lago

Este Inverno vai mau.

Nota: O blogger2 “recusou-se” a fazer o download das imagens supra. Tive que recorrer ao meu blog WordPress, nele fiz o download sem “reclamar” e colei-as aqui neste post. Vergonha para o Google!!!

(Cópia do post publicado no Malaposta (Blogspot)

Viver só

Sexta-feira, 26 Janeiro 2007 às 1:00 am | Publicado em Geral | 2 comentários

Lu�sa Castel-BrancoSe há algo para que a vida não nos prepara é para a morte. É estúpido, mas verdadeiro, porque desde que nascemos esta é a única certeza da nossa vida. Mas existem muitos tipos de morte. A física, a partir do corpo e da alma de alguém, essa é uma dor infinita. Mas também existe a morte do amor, uma e outra e outra vez, porque podemos morrer um pouco todos os dias na ausência do ser amado, na necessidade de continuar a viver, mesmo que sem sentido. E a morte da amizade, porque a vida encarrega-se da erosão daquela dedicação entre dois seres humanos que não é passível de transcrever em palavras, é apenas o estar lá quando o outro se perdeu.

A morte das relações familiares. Os laços de sangue vão perdendo a sua força e de repente damos connosco num beco sem saída, num deve e haver de mágoas que destroem para sempre aquilo que um dia foi a nossa história, a história do nosso berço e de quem nos rodeava desde os primeiros passos. A vida é madastra, diz o povo. E se dantes tudo isto era verdade, hoje, à velocidade com que vivemos os dias, nesta luta pela sobrevivência onde todos somos vítimas, mesmo aqueles poucos que detêm o poder, económico, passional, seja ele qual for, hoje as várias mortes acontecem cada vez mais cedo e mais depressa.

Vivemos rodeados por uma multidão de conhecidos e desconhecidos. E, contudo, vivemos uma solidão tão profunda que quase tem forma física, que quase se pode tocar. O nosso medo já não é morrer só, é viver só.

Pedido

Terça-feira, 2 Janeiro 2007 às 9:27 pm | Publicado em Pessoal | 3 comentários

Peço a todos os amigos que visitam esta casa o favor de passarem a visitar-me na minha casa anterior, chamada “Blogger”. Com efeito, os problemas apontados no dia 24 Novembro 2006 no post Informação encontram-se, após algumas reparações importantes, solucionadas. E é nessa casa, onde vivo há dois anos, que me sinto mais à vontade para continuar a trabalhar.

Compreendo que a questão da alteração dos links, de https://malaposta.wordpress.com/ para http://malaposta.blogspot.com/ possa eventualmente causar algum incómodo. Sendo certo que tal questão nunca me incomoda quando sou eu a actualizar links, não quero deixar de pedir as minhas desculpas e a vossa compreensão.

Quando entrei nesta casa tive, naturalmente, de comprar mobília nova. Mudarei a que puder para a minha casa “Blogger”. Julgo que todos compreenderão: O Governo actual continua a roubar tudo que pode e se soubesse que o dono se tinha ausentado mandava cá o TGV para levar tudo. Conseguiria fazer baixar o défice à custa de novo roubo!…

In Memorian

Segunda-feira, 1 Janeiro 2007 às 1:58 am | Publicado em Política | 2 comentários

Ary dos SantosQue a terra lhe seja pesada.
Que lhe apodreça o corpo e os olhos fiquem vivos,
Se lhe soltem os dentes e a fome fique intacta
E a alma, se a tiver, que lha fustigue o vento
E arrase com ela a memória gravada
Na lembrança demente dos que o choram.


Que a mulher que foi dele oiça o vento na noite,
Cheio de ossos e uivos
E garfos aguçados
E que reparta o medo com o primeiro intruso
E o vento se insinue pelas portas fechadas
E rasteje no quarto
E suba pela cama
E lhe entre no olhar como estiletes de aço,
Lhe penetre os ouvidos como agulhas de som,
Lhe emaranhe os cabelos como um nó de soluços,
Lhe desfigure o rosto como um ácido em chama.

Que a mulher que foi dele oiça o vento na noite,
Que a mulher que foi dele oiça o vento na cama!

Que o nome que era o seu o persigam os ecos,
O gritem no deserto as gargantas com sede,
O murmurem no escuro os mendigos com frio,
O clamem na cidade as crianças com fome,
O soluce o amante de súbito impotente,
O maldigam no exílio as almas sem descanso.

Que o nome que era o seu seja a bandeira negra,
A pálpebra doente,
O vómito de sangue.

Que o gesto que era o seu o imitem as mães
Que se torcem de dor quando abortam nas trevas,
O desenhem a lume os braços amputados,
O perpetue o esgar dos jovens mutilados,
O dance o condenado que morre na fogueira.
Que o gesto que era o seu seja o punhal do louco,
A arma do ladrão,
A marca do vencido.

Que o sangue que era o seu o farejem os cães
Nas veias de seus filhos.
Que o sangue que era o seu se lhes veja nas mãos,
E lhes aperte os pulsos como algemas de lodo,
Lhes carregue o olhar como um sopro de infâmia,
Lhe assinale a testa como um escarro de fogo,
Lhes atormente os passos como um peso de lama.

Que o sangue que era o seu seja o rictus da tara,
A máscara de sal,
A vingança do pobre.
E que o Exterminador, no seu trono de enxofre,
o faça tilintar os guizos da tortura
Até que o mundo o esqueça
E mais ninguém o chore.

Poema incluído nos livros A Liturgia do Sangue (1963), Vinte Anos de Poesia (1983) e Obra Poética (1994).

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